Thiago Gomes*

O programa Fantástico, da Rede Globo, iniciou essa semana uma série de reportagens sobre Inteligência Artificial. Na primeira matéria, exibida em 05 de agosto, pesquisadores e profissionais de algumas das principais universidades dos EUA mostraram exemplos de robôs que estão, cada vez mais, adquirindo características antes exclusivas dos humanos. São movimentos, capacidade de raciocínio e, o mais importante de tudo, capacidade de aprendizado. A Inteligência Artificial está na esteira da revolução moderna, alvo da atenção e interesse de diversos setores da sociedade. Sabemos que de tempos em tempos a humanidade é chacoalhada por profundas transformações. A invenção da roda, da pólvora e da eletricidade deram ao homem poder, conforto e chances de sobrevivência num mundo em permanente mutação. Os avanços na área de IA também vão colocar a humanidade num outro patamar civilizatório.

Estimativas dão conta que até 2050 80% de todas as atividades realizadas pelo homem serão executadas de forma automatizada. Muitas delas nem irão demorar tanto assim para mudar, já serão parte de nossa rotina dentro de uma década e, de tão banais, passarão a ser imperceptíveis. Hoje em dia, às vezes sem se dar conta, nos deparamos com pequenos sinais de como a máquina é capaz de aprender sozinha e nos influenciar: quando terminamos de assistir um vídeo no YouTube, por exemplo, logo na sequência, recebemos inúmeras sugestões de conteúdo semelhante ao assistido, ou então, quando as redes sociais nos sugerem amigos baseadas na nossa própria rede de contatos.

E para quem afirma que automação representa uma máquina ocupando o lugar do homem, devemos analisar a questão sob outros ângulos. O alcance que tais máquinas podem ter e como podem mudar – e melhorar – a nossa vida depende, em grande parte, da inteligência e criatividade humanas. Robôs poderão produzir em escala, atender um cliente, nos ajudar com a busca de dados ou produtos, mas eles só farão isso bem feito se alguém os programar e desenvolver as melhores estratégias para tanto. Ao analisar o futuro do trabalho, devemos levar em conta que as melhores escolas e educadores já indicam para os jovens que é preciso se preparar para um mercado de trabalho em que a maior parte das profissões ainda não foram sequer criadas.

Como tudo na vida, surgirão consequências positivas e negativas. A melhor forma de lidar com isso não é fugir das mudanças e sim encarar de frente o desafio levando em conta que os benefícios também serão gigantescos. A IA vai nos ajudar a resolver problemas que o homem ainda não é capaz de resolver. Preocupações como o fim dos empregos devem ser colocadas na balança, mas talvez seja o caso de deixarmos que os novos ventos nos indiquem o caminho. A parte que nos cabe é estar preparado para não deixar passar nenhuma oportunidade.

*Thiago Gomes é superintendente de Inovação da PG Mais.