27 de abril de 2026

O fim do orelhão e o que ele revela sobre a cobrança moderna

Em 2026, a Anatel autorizou a retirada definitiva dos orelhões das ruas brasileiras. De mais de 1,5 milhão de aparelhos no auge, restam menos de 40 mil e a maioria já não faz parte da rotina de ninguém. A Vivo registrou queda de 93% no uso nos últimos cinco anos. 

O orelhão não morreu por acaso. Ele morreu porque o consumidor mudou e o canal não acompanhou. Essa história tem tudo a ver com cobrança.

O canal certo não é o canal favorito da empresa, é o canal do consumidor

Durante décadas, o orelhão foi o único meio viável de relacionamento público. Todo mundo usava porque não havia alternativa. Hoje, o consumidor tem poder de escolha, e ele exerce esse poder o tempo todo, em todas as relações que estabelece com marcas e empresas.

Na cobrança, isso não é diferente.

O consumidor que está em situação de inadimplência não é um alvo passivo. Ele tem preferências, rotinas e limites. Abordá-lo pelo canal errado, no momento errado, com a mensagem errada, gera ruído. E ruído, no contexto da cobrança, significa oportunidade perdida.

A questão não é qual canal funciona melhor. É qual canal funciona melhor para aquela pessoa, naquele momento.

Multicanal não é estar em todos os lugares, é estar nos lugares certos com timing ideal

Existe uma confusão comum no mercado: acreditar que operar em múltiplos canais significa disparar mensagens em todos eles ao mesmo tempo. Não é isso.

Uma estratégia multicanal eficiente começa com dados. Isto é, entender quem é essa pessoa, como ela prefere ser contatada, qual o melhor horário, qual o histórico de relacionamento. A partir disso, a régua se organiza de forma inteligente, ativando o canal mais adequado para cada perfil.

“O erro mais comum que vejo nas operações de cobrança é tratar o multicanal como volume. Canal certo não é o que a empresa tem disponível, é o que faz sentido para aquela pessoa naquele momento. Quando você acerta isso, a conversa muda antes mesmo de começar”, destaca Samir Silveira, CSO, PGMais.

Na prática, isso significa operar com:

  • WhatsApp: canal de alta abertura, ideal para relacionamentos diretos, negociações e envio de propostas personalizadas em tempo real.
  • SMS: eficaz para lembretes e acionamentos rápidos, especialmente para perfis com menor engajamento digital.
  • E-mail: adequado para relacionamentos mais detalhados, envio de acordos formalizados e histórico de negociação.
  • Voz (voicebot e atendimento humano): indispensável para casos que exigem negociação mais complexa ou perfis que respondem melhor ao contato verbal.
  • Canais digitais e portais de autonegociação: crescentes em relevância, pois oferecem autonomia ao consumidor — ele resolve no seu tempo, sem constrangimento.

É exatamente essa lógica que estrutura o ONE Collect, plataforma de gestão de estratégia de cobrança da PGMais: não há canal superior. O que define o resultado é a inteligência por trás da escolha — e a capacidade de orquestrar todos esses pontos de contato de forma integrada, a partir do perfil de cada pessoa.

O consumidor digital quer autonomia e a cobrança precisa respeitar isso

O mesmo consumidor que abandonou o orelhão é o que hoje resolve tudo pelo celular,  paga contas, cancela serviços, faz reclamações e renegocia dívidas. Ele está habituado a ter controle sobre suas interações.

Quando a cobrança ignora essa autonomia, ligando em horários inconvenientes, usando canais que o consumidor não utiliza, repetindo abordagens genéricas, ela não apenas perde eficiência. Ela deteriora o relacionamento entre empresa e cliente num momento que já é delicado por natureza.

Dados do Serasa mostram que 7 em cada 10 pessoas em situação de inadimplência querem quitar suas dívidas. A intenção existe, o que transforma essa intenção em resultado é a qualidade da abordagem e a capacidade de chegar até essa pessoa do jeito certo.

Dados e tecnologia como base da estratégia multicanal

Operar com inteligência multicanal exige mais do que ter acesso a diferentes canais. Exige uma camada de dados que permita:

  • Identificar o perfil de cada pessoa e sua propensão à regularização;
  • Definir a sequência e o timing de acionamento mais adequados;
  • Personalizar a mensagem e a oferta de acordo com o contexto.

Monitorar resultados em tempo real e ajustar a estratégia continuamente

“Dados não são só o ponto de partida da estratégia, são o que mantém ela viva. Uma operação que não aprende com cada interação está, na prática, repetindo os mesmos erros em escala”, revela Samir Silveira, CSO, PGMais

É aqui que a tecnologia, e especialmente a inteligência artificial, deixa de ser diferencial e passa a ser requisito. Sem ela, a operação multicanal vira apenas volume. Com ela, virá precisão.

O orelhão foi substituído, a cobrança genérica também precisa se reinventar

O fim do orelhão é um lembrete de que nenhum canal sobrevive quando ignora o comportamento do consumidor. O mesmo vale para qualquer estratégia de cobrança que ainda trata pessoas como números em uma lista.

O mercado que vai se destacar nos próximos anos é o que já entende: cobrança eficiente não é pressão. É inteligência aplicada no momento certo, no canal certo, para cada pessoa — e um relacionamento que vai além da dívida.

Quer entender como estruturar uma operação de cobrança multicanal com inteligência de dados? Agende uma conversa com nossos especialistas. Um abraço e até a próxima!

Compartilhe nas suas redes!

Mais notícias

Notícias anteriores

RCS Conversacional na cobrança: resoluções em cliques
Imediatista e pressionado: o novo perfil do consumidor brasileiro e o impacto na cobrança
Eficiência ou volume? O que os dados reais estão dizendo sobre o futuro da cobrança
Cobrança inteligente: tecnologias que estão redefinindo a recuperação de crédito
Passo a passo para otimizar a sua gestão de acordos
Como gerar mais inteligência na gestão de cobrança?
Tendências de crédito e inadimplência 2026: análise do cenário brasileiro
Educação financeira: como impacta a cobrança?
Perfil do inadimplente: entenda para criar jornadas de cobrança hiperpersonalizadas
IA Conversacional de voz e texto: qual é a melhor escolha na cobrança?
Ciclo de cobrança: do adimplente ao inadimplente
PGInsights: aprendizados valiosos para aplicar em 2026

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site.
Ao continuar a navegação, assumiremos que você está de acordo com isso.